Aprender uma segunda língua

Neste mundo globalizado, aprender um segundo idioma desde pequeno pode ser uma grande vantagem

Graças aos recentes estudos da neurociência, sabemos que nosso cérebro se adapta perfeitamente às mais variadas situações e, por isso, uma criança normal não terá seu desenvolvimento dificultado se crescer ouvindo duas línguas – pelo contrário. O ser humano nasce pronto para aprender qualquer idioma que lhe seja apresentado. Na criança que escuta seus pais falando línguas diferentes, teoricamente, ocorre uma boa exposição a esses idiomas, o que pode lhe conferir uma melhor capacidade de ouvir e pronunciar tais línguas. Essas são as maiores vantagens de uma criança bilíngüe ‘precoce’, ou seja, ter uma melhor distinção de fonemas específicos de cada língua e uma pronúncia bem menos carregada de sotaque.

É comum ouvir comentários sobre dificuldades e aquisição tardia da fala nos pequenos que convivem com dois idiomas. Entretanto, as pesquisas desmistificam essa idéia. Quando consideramos o aprendizado simultâneo de duas línguas por crianças, não existe uma mais fácil ou difícil, já que elas aprendem os dois idiomas sem terem a noção, inicialmente, de que a língua A é diferente da B. Isso, no começo, causa algumas misturas dos idiomas, mas potencializa o processo de bilingüismo (maior vocabulário, melhor pronúncia, percepção de sons) e, a curto prazo, a criança aprenderá a distinguir o uso das duas línguas.

Cuidado com a sobrecarga
Apesar das inúmeras vantagens é necessário tomar alguns cuidados para não sobrecarregar intelectualmente a criança. Para crianças que têm entre 1 e 4 anos não devem ser apresentadas letras ou palavras escritas, apenas sons, músicas, diálogos, para proporcionar uma melhor identificação e produção de sons sem interferência de sotaques. O contato oral com mais de dois idiomas não é prejudicial, mas a alfabetização simultânea em duas ou três línguas pode ser conteúdo demais para essa fase do desenvolvimento infantil. É por esse motivo que as escolas bilíngues alfabetizam primeiro em português, e depois dos cinco anos é que começa a alfabetização na segunda língua.

Os pais precisam ficar atentos nesse processo para reconhecer possíveis problemas. Algumas crianças podem ter dificuldade na aquisição da língua; nesse caso, é recomendável que sejam alfabetizadas apenas naquela língua e, futuramente, tenham instrução em mais idiomas.

Fonte:
Revista Meu Nenê