Deficiência Intelectual

Em agosto de 2006, durante uma convenção da Organização da Nações Unidas (ONU), ficou definido que a nomenclatura mais adequada para referir-se às pessoas com a chamada deficiência mental na verdade é deficiência intelectual.

Essa deficiência não é considerada uma doença ou um transtorno psiquiátrico, e sim um prejuízo das funções cognitivas causado por um ou mais fatores que acompanham o desenvolvimento do cérebro.

A deficiência intelectual pode variar de grau leve à grave, o que diferencia muito a intervenção que deve acontecer por parte do educador com esse aluno.

É importante ressaltar que os diagnósticos feitos antes dos 6 anos de idade devem ser reavaliados, pois, nessa fase de desenvolvimento, muitas mudanças e estimulações podem ocorrer, alterando as características da criança.

As causas da deficiência intelectual podem ter diversas etiologias, podendo ser intraindividuais ou externas ao indivíduo. Nas intraindividuais encontramos as de origem genética (Síndrome de Down), de origem metabólica (fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito), causadas por danos cerebrais graves (armas de fogo ou tumores) e ainda as que provém de desordens psíquicas, resultantes de autismo ou esquizofrenia.

As causas externas ao indivíduo estão em fatores pré-natais (desnutrição materna, alcoolismo, medicação proibida, intoxicações etc.), perinatais – até 1 mês de vida do bebê (falta de assistência no parto, hipóxia, anoxia, icterícia, etc.), pós-natais – após 1 mês de vida do bebê (desidratação, desnutrição, produtos químicos, traumatismo craniano, intoxicações, etc.) e ambientais (ausências de estímulos, por ex.).

Características dos alunos com deficiência intelectual

Há quatro áreas em que esses alunos podem apresentar semelhanças entre si apesar de existir uma grande variedade de capacidades e necessidades:

  1. Área motora: alterações na motricidade fina. Nos casos mais severos, pode-se perceber capacidades motoras mais acentuadas, como coordenação e manipulação, além de começar a andar mais tardiamente.
  2. Área cognitiva: algumas crianças com essa deficiência podem apresentar dificuldades na aprendizagem de conceitos abstratos, em focar a atenção, na capacidade de memorização e resolução de problemas, na generalização. Podem atingir os mesmo objetivos que as outras crianças, mas num ritmo mais lento.
  3. Área da comunicação: podem encontrar dificuldade na comunicação e consequentemente, dificuldade de relacionamento.
  4. Área socioeducacional: em alguns casos ocorre discrepância entre a idade mental e a idade cronológica, entretanto, é preciso promover a interação social colocando esses alunos em contato com crianças da mesma idade cronológica, participando das mesmas atividades, e assim, eles aprendem valores, comportamentos e atitudes apropriados de sua faixa etária.

Dicas para o trabalho com os alunos com deficiência intelectual:

– Focar a atenção, priorizando objetos que queremos ensinar;

– Partir de contextos reais;

– Criar situações de aprendizagem positivas e significativas;

– Usar situações e formas mais concretas possíveis;

– Transferir comportamentos e aprendizados adquiridos para novas situações;

– Dividir as tarefas em partes, aumentando as dificuldades gradualmente, respeitando o ritmo do aluno;

– Motivar, elogiar o sucesso e valorizar a autoestima;

– Atender aprendizados que melhoram a qualidade de vida de todos os alunos, e não só a área de conhecimentos acadêmicos;

– Proporcionar situações do cotidiano, como ensinar a ler e escrever o nome, o endereço, ler informações de placas, rótulos, ver as horas, compreender o valor monetário, fazer compras, dar o troco, organizar materiais, higiene pessoal, utilizar transportes públicos, ensinar a se comunicar e se fazer entender por diversas pessoas, entre tantas outras atividades;

– Utilizar diferentes tipos de linguagem, como a música, a dança, artes, expressão corporal, etc.;

– Acreditar que o aluno com deficiência intelectual pode aprender como outra criança, é só ter as ferramentas necessárias;

– Acompanhar continuamente o processo de aprendizagem do aluno, registrando suas observações, para poder, com o tempo, perceber quais são os meios traçados por cada um, pois não há um perfil único para os alunos com deficiência intelectual.

É importante saber que o fato do aluno ser inserido em uma turma que tenha sua “idade mental”, e não sua idade cronológica, ao invés de contribuir para o seu desenvolvimento, infantiliza-o e dificulta seu desenvolvimento psíquico-social.

Para uma abordagem adequada, o espaço físico deve ser bem organizado, o material pedagógico deve ser rico e diversificado, propiciando atividades em pequenos grupos e com o tempo de alteração progressiva.

Referência:

Revista Ciranda da Inclusão