Identificando o problema
A fala: A fala se desenvolve durante os três primeiros anos de vida da criança. Entre 2 e 5 anos é comum a criança apresentar algumas dificuldades na emissão de palavras com sons mais difíceis, podendo chegar às vezes a hesitar na hora de falar e/ou a repetir algumas sílabas ou palavras.
A disfluência normal: acontece de vez em quando. A criança repete uma ou duas vezes sílabas ou palavras ou hesita antes de falar como se estivesse buscando dentro da cabecinha a palavra certa para usar. Todos os falantes apresentam disfluências desse tipo durante a vida. Elas são tão naturais que nem os falantes nem os ouvintes percebem que tal fato acontece o tempo todo.
As disfluências leves: surgem quase sempre. A criança repete sons ou sílabas mais de duas vezes, ou pode apresentar prolongamentos – duração exagerada de um som. Pode evidenciar tensões leves no pescoço, no rosto ou em volta da boca, ou mudanças na intensidade da voz. Algumas vezes parece estar faltando o ar para que ela consiga falar. Essas ocorrências duram um período de tempo – não mais de 6 meses – e depois desaparecem.
As disfluências graves: ocorrem sempre, em quase todas as situações de comunicação. A criança gagueja em mais de 10% da sua fala. Os bloqueios – demorar a conseguir falar ou soltar de repente um som que parece estar preso – são mais comuns do que as repetições de sílabas ou prolongamentos de sons. Apresenta esforço e tensão para falar, podendo associar à fala movimentos faciais e/ou corporais.
Orientações
Cada criança é uma criança, cada família é uma família, portanto não existem receitas de “como fazer”. As sugestões que serão apresentadas estão diretamente relacionadas com a promoção da fluência e da interação comunicativa.
Como ajudar
- Prestar mais atenção ao conteúdo do que a criança está falando do que à forma com que ela o faz
- Ajudar a falar mais suavemente
- Parar um segundo ou mais antes de responder
- Reservar um tempo, diariamente, para dar atenção exclusiva à criança
- Encorajar a criança a falar sobre sua gagueira com vocês
- Fornecer à criança um modelo apropriado de fala
- Ler ou contar histórias sempre que possível
- Favorecer a expressão verbal dos sentimentos
- Promover um ambiente familiar de conversação não competitivo
- Lembrar a criança que as dificuldades são naturais à fala de qualquer pessoa
- Manter contato de olho natural enquanto a criança está falando
- Encorajar a criança a falar
Prestar atenção aos efeitos das ações e estar sempre pronto a fazer ajustes no modo de agir e nas expectativas, ao notar que isso é uma necessidade.
O que prejudica a fluência
- Dizer à criança para ela relaxar, acalmar-se ou pensar antes de falar
- Chamar a criança de gaga
- Criticar ou corrigir a fala da criança
- Completar o que a criança está falando ou interrompê-la enquanto o faz
- Apressar a criança quando ela estiver tentando
- Preocupar-se demasiadamente com a gagueira
- Falar muito rápido e de forma “difícil”
- Gritar com a criança quando ela gaguejar
- Tornar desagradáveis as atividades do dia a dia
- Fazer a criança se sentir envergonhada ou diminuída
- Forçar a criança a falar em público
- Comparações desnecessárias
- Pressionar a criança com muitas atividades
- Superproteger a criança
- Exigir demais da criança
Cuidado: não dar atenção à criança só quando ela gagueja. A criança não faz isso de propósito e nem quer gaguejar. É importante estar disponível para a criança quando ela falar, ouvindo o que tem a dizer.
Fonte:
Material elaborado com base no livro: Gagueiras Infantis de Claudia Andrade