Tira-dúvidas II – assuntos diversos

”Passa a alfomada!”
‘Qué sapeuzinho memeio!’. Ah, quem resiste ao jeitinho fofo de falar das crianças? Principalmente na faixa dos 2 aos 3 anos, quando elas já conseguem dizer muita coisa, mas ainda se sacrificam para pronunciar certos fonemas. Nesta época, a criança até consegue se fazer entender, mas ainda não tem a articulação completa. Os fonemas de travesseiro e trabalho, por exemplo, palavras que fazem parte do cotidiano da criança, são os mais tardiamente aprendidos por ela. Mas, mesmo sendo assim, tão ‘bonitinho’, os pais não devem repetir o jeito delas. A fala do adulto é o modelo para a criança e, por isso, tem que ser correta. Isso não tem nada a ver com repreensão. Não é o momento de dizer ‘assim está errado’ ou ‘tem que falar assim’. A correção acontecerá naturalmente. Se ela disser ‘tenzinho’, basta dizer ‘ah, o trenzinho’. Aos poucos, ela vai repetir. Sem querer, acabamos também caindo na risada, quando ouvimos ‘alfomada’ no lugar de ‘almofada, mas é bom não exagerar. Os adultos ao redor têm que ser prudentes para não passar a impressão de estar caçoando da criança. Uma dica para os pais guardarem de lembrança esses momentos tão especiais é colocar um gravador por perto, sem que o filho perceba, enquanto vocês conversam.

Ele vai ler
Último ano da educação infantil ou primeiro ano do ensino fundamental. A grande expectativa é saber se em dezembro seu filho vai conseguir escrever sozinho a cartinha para o Papai Noel. Será que ele consegue aprender? Ainda não é muito pequenininho? E se ele não acompanhar a classe? Calma. Seu filho vai, sim, aprender a ler e a escrever. Mas é importante que você tenha em mente que isso não ocorre para todos ao mesmo tempo. Alguns já saem da pré-escola alfabetizados, outros só terão domínio da leitura no fim da primeira série. Essa diferença de ritmo é normal e esperada. Cada vez mais, cobra-se desempenho precoce em todos os grupos, até mesmo na escola. A ansiedade fica aliada a uma exigência de ler cada vez mais cedo. E não demora muito para que vire cobrança. Isso pode tornar a aprendizagem da criança mais difícil, pois ela precisa atender a uma demanda para a qual não está preparada. Não se pode deixar de lado o ritmo individual de cada um. Os pais devem acompanhar os progressos do filho e estimulá-lo a ler em casa. Vale visitar bibliotecas, comprar livros juntos. Mas tenha certeza: quando você menos esperar, seu filho estará lendo sozinho.

Fonte:
Revista Crescer